Página não oficial do Concelho de Castanheira de Pera
Terça-feira, 28 de Abril de 2009
DISCURSO DO SR. PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE CASTANHEIRA DE PERA NAS COMEMORAÇÕES DO 35º ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL DE 1974

DISCURSO DO SR. PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE CASTANHEIRA DE PERA NAS COMEMORAÇÕES DO 35º ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL DE 1974

 

  

 

"Exmo Senhor Representante da Senhora Presidente da Assembleia Municipal;

Exmo Senhor Presidente da Assembleia de Freguesia de Castanheira de Pera;

Exmo Senhor Presidente da Assembleia de Freguesia do Coentral;

Exmo Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Castanheira de Pera;

Exmo Senhor Presidente da Junta de Freguesia do Coentral;

Reverendo Pároco Joaquim Duarte Gomes;

Minhas Senhoras;

Meus Senhores,

Comunicação Social.

Volvidos que são 35 anos sobre a data histórica em que Portugal marcou encontro com o futuro, não podemos, nem devemos, deixar de lhe atribuir o significado especial que esta deverá assumir, ainda, na construção do nosso sonho colectivo.

Peço-vos que aceitem que inicie com uma palavra de  reconhecimento e louvor a todos os capitães de Abril e a todos aqueles, homens e mulheres, que, pela pureza dos seus ideais, ousaram nunca desistir de lutar pela conquista dos direitos e liberdades até então negados.

Prestemos-lhe pois, a nossa mais sincera e profunda homenagem.

Importa porém reafirmar que Abril não é só passado. É presente e continuará a ser futuro. É património colectivo em construção.

 Abril é pois, saudade e também memória.

Porém, a saudade só se transformará em memória se tivermos a capacidade de a renovar, actualizar e a projectar para o futuro.

Não podemos correr o risco de esta data ser apenas mais uma data que entra na rotina das datas que o calendário dos feriados oferece e apenas corresponda a mais um dia sem trabalhar. Infelizmente assim já acontece com muitos. Para outros é muito mais do que isso, tem mesmo um significado mais profundo, é uma realidade que faz parte da sua história de vida, sendo celebrada com um misto de história e saudade.

Não podemos pois, correr o risco de esta data ser ignorada.

E é aqui que aumenta a nossa responsabilidade, a responsabilidade de juntar na mesma celebração os que a vivenciaram e os que a receberam através das páginas da história.

Jamais poderemos permitir que o pó se deposite sobre o tempo em que a democracia se fundou em Portugal e criou condições para o exercício de uma cidadania livre e plena.

Minhas senhoras

Meus senhores

Mais de metade da população que actualmente reside no nosso país nasceu depois de Abril de 1974. É pois, natural que tenham alguma dificuldade em compreender o que custou a liberdade, aceitando mesmo como normal não terem conhecimento do verdadeiro e profundo significado das conquistas de Abril. Para grande parte destes nunca se viveu de outra maneira, já ouviram falar do 25 de Abril de 74, mas nunca perceberam nem aprenderam como se conquistou esse bem que hoje temos – a Liberdade. Podemos mesmo afirmar que a sentem de uma forma diferente porque, não tendo que a conquistar, sempre a encararam como uma forma normal de vida, usufruindo e beneficiando das virtudes de um regime democrático.

Mas a democracia não aconteceu por decreto. Foi desbravado um caminho para chegar a ela. Um caminho que custou muitas vidas mas que ainda não podemos considerar que esteja completamente aberto.

A democracia é um processo inacabado. É aprendizagem e crescimento. Ela só existirá na plenitude quando formos possuidores de valores democráticos e os soubermos aplicar na vida quotidiana. E isso, não nos enganemos, é um processo longo e demorado.

Afirmamos por isso que Abril é reflexão mas também projecto.

Reflexão porque, num tempo novo, urge reflectir sobre o sentido que devemos e queremos dar a estas comemorações. Se devemos valorizar a data em detrimento da história que a mesma encerra.

Reflexão, porque temos a obrigação de reflectir, seriamente, sobre o caminho a seguir.

Reflexão, porque devemos interrogar-nos se, de facto, temos correspondido ao chamamento que Abril, constantemente, nos faz. Se temos sabido transmitir aos mais jovens todos os seus valores legitimadores.

 Reflexão, porque importa saber se temos sabido corresponder às expectativas dos mais jovens, se temos tido a capacidade de exercer sobre eles uma acção mobilizadora, alimentando-lhes o interesse, a vontade e a ambição de construir um país melhor.

Mas também projecto…

Projecto, porque liberdade e  democracia se constroem em cada dia que passa, tendo como objectivo primeiro a construção de uma sociedade mais justa.

Projecto, porque Abril é cada vez mais daqueles que o não viveram e urge reinventá-lo no sentido de uma maior participação e envolvimento activo de todos.

Projecto, porque temos um longo caminho a percorrer no sentido de uma maior dignificação e credibilização da classe política.

Projecto, porque Abril não se cumpriu, ainda, na plenitude.  Cumpre-se um pouco mais a cada dia que passa.

Minhas senhoras

Meus senhores

Vivemos um tempo que tem que ser encarado como um novo tempo.

Se por um lado nos faz apelo à capacidade de afirmação, por outro, constantemente nos interpela, impelindo-nos para uma nova atitude de iniciativa, diferenciação, ousadia, qualificação e valorização.

Cabe aqui dirigir-me aos mais jovens, em breves palavras, pedindo-lhes que não se conformem e fazendo-lhes ver o quão importante é a acção deles para o futuro deste país. 

É notório, porém, um certo afastamento e, mesmo desinteresse, dos jovens relativamente ao seu envolvimento na vida pública. Apelo pois, a uma participação mais activa destes, dizendo-lhes mesmo que o país e o concelho muito tem a esperar deles. Só com uma colaboração e intervenção efectiva deles poderemos qualificar a nossa democracia.

Importa que conheçam o caminho já percorrido pois, só assim estarão em condições de traçar os caminhos do futuro. Um futuro que se pretende mais participado e optimista e que será o que dele quisermos e soubermos fazer. 

Queremos acreditar que as gerações mais novas serão capazes de dignificar o legado de Abril e projectar os seus valores para o futuro, ainda que esse mesmo futuro se nos afigure bem mais exigente e incerto.

Vêm aí tempos difíceis, quer no plano nacional, quer no plano local.

No plano nacional como no local temos muito, ainda, para fazer, um longo caminho a percorrer, quiçá, sinuoso.

Os tempos próximos vão exigir muito de cada um de nós e não vão permitir que baixemos os braços. Não podemos deixar de acreditar porque sabemos que mesmo em condições adversas somos capazes de fazer. E é em nome de tudo aquilo que já fomos capazes de fazer que devemos procurar forças para enfrentar os próximos tempos. Devemos, por isso, ser exigentes e rigorosos connosco próprios.

Nem tudo terá corrido como gostaríamos! Não escondamos. Poderíamos ter feito de forma diferente! Quem sabe se teria sido melhor?

Ainda assim, muito se tem feito e há mesmo inúmeros aspectos que merecem uma apreciação bem positiva.

Temos assumido uma atitude construtiva e aceitamos e vemos a crítica como elemento indispensável ao desenvolvimento, mas não como arma medíocre de destruição e mal-dizer. Não resisto, a propósito, citar John Steinbeck, escritor norte americano, quando nos diz que : De todos os animais da criação, o homem é o único que bebe sem ter sede, come sem ter fome e fala sem ter nada que dizer.”

Minhas senhoras

Meus senhores

Os próximos tempos são de trabalho e determinação, são de união de esforços e de sentido de responsabilidade. Mas são também tempos de confiança e de vontade de vencer, são tempos de iniciativa e de oportunidade.

Deve ser este o nosso estado de espírito, em nome de tudo o que já fomos capazes de fazer. E muitas foram as vezes em que nos superámos e fomos um pouco mais além do que a própria vista alcançava.

Sem pretendermos esconder a situação difícil em que nos encontramos queremos, contudo, reafirmar o nosso propósito de não baixar os braços, juntar esforços e caminhar na direcção da construção do nosso futuro colectivo.

Façamos pois, a excelência com humanismo, e façamos também, em permanência, esse exercício, extraordinariamente, exigente que consiste em repensar Abril que é, sempre, um exercício inacabado, à semelhança dos projectos de vida que gostamos de construir para os nossos filhos

Termino enaltecendo e comemorando o 25 de Abril, porque continuar Abril, no sentido do compromisso assumido em 1974, significa assumir uma tarefa quotidiana que exige esforço conjunto de todos e cada um de nós, tendo sempre os mais novos como agentes determinantes na construção de uma sociedade mais justa, mais fraterna e solidária.

Ouso pois, ainda sonhar com uma sociedade melhor e por isso não resisto a ler-vos um poema de Sebastião da Gama.

Pelo sonho é que vamos,

comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,

pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.

Basta a esperança naquilo

que talvez não teremos.

Basta que a alma demos,

com a mesma alegria,

ao que desconhecemos

e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?

- Partimos. Vamos. Somos.

Porque Abril continua a ser um poema para ser cantado todos os dias e a assumir-se como um permanente e fascinante desafio!...

Viva o 25 de Abril!...

Viva Portugal!..."

Filipe Lopo

filipelopo@sapo.pt

http://fotos.sapo.pt 



publicado por Filipe Lopo às 09:23
link do post | favorito
 O que é? |

mais sobre mim
pesquisar
 
Janeiro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


posts recentes

Novo endereço - http://ca...

AS SUAS NOTICIAS - O NOSS...

25 de ABRIL de 1974 - 36º...

OS PERIGOS DA INTERNET

VIOLÊNCIA EM DEBATE

CASTANHEIRA DE PERA RECEB...

CARTA DE UMA MÃE PARA OUT...

CORO DE SANTO AMARO DE OE...

TOMADA DE POSSE DOS ELEIT...

DISCURSO DO PRESIDENTE DA...

TOMADA DE POSSE DOS ELEME...

HOJE ESTOU DANADO

ACTO ELEITORAL NA FREGUES...

FUTEBOL DE RUA – ÉPOCA 20...

APANHA DE SEMENTES – PROJ...

GNR de Pombal apreendeu m...

CANYONING - Ribeira de Qu...

“DEUS ABENÇÕE OS PAIS MAU...

RESULTADOS DAS ELEIÇÕES A...

DISTRIBUIÇÃO DE MANDATOS ...

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS 200...

EXPOSIÇÂO NA CASA DO TEMP...

Há Festa em Castanheira d...

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS EM C...

PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA ...

PARTIDO SOCIALISTA - CAND...

"PAISAGENS" EXPOSIÇÃO FOT...

EXPOSIÇÃO DE MOTORIZADAS ...

Iº Torneio de Vólei Praia...

DUAS LUAS A 27 DE AGOSTO ...

DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA

DIA INTERNACIONAL DA JUVE...

Dia 15 de Agosto a RTP ch...

PSD candidata presidente ...

CASTANHEIRA DE PERA - PS ...

04 de Julho de 2009 - Dis...

04 de Julho de 2009 - Dis...

Festa do Livro volta à Pr...

COMEÇOU A CAMPANHA ELEITO...

JS não integra lista do P...

ULTIMA HORA - MINISTÉRIO ...

PEDIDO DE DESCULPA

CANDIDATO À AUTARQUIA CAS...

95º ANIVERSÁRIO DE CASTAN...

APRESENTAÇÃO DE 70 NOVAS ...

PASSEIO PEDESTRE, ESCONHA...

Stº ANTÓNIO DA NEVE - C...

Memórias do Antigamente l...

XII FESTIVAL DE FOLCLORE ...

TRIANGULACOES de JOSÉ POR...

arquivos

Janeiro 2011

Abril 2010

Dezembro 2009

Outubro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Setembro 2007

Agosto 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Março 2006

tags

todas as tags

links
Paralaxe

VISITAS

Estadisticas web
blogs SAPO
Pesquisa
 Busca e Pesquisa Evangélica