Página não oficial do Concelho de Castanheira de Pera
Quarta-feira, 30 de Maio de 2007
DISCURSO DA SRª. PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL de Castanheira de Pera
DISCURSO DA SRª. PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL

 

Trinta e três anos depois, com tantas frases feitas, com tantos parágrafos repetidos deparei com as palavras de José Gomes Ferreira:

“Com os capitães à frente

O Povo um dia levantou-se.

Este povo – diziam – tão humilde, tão bom, tão doce e obediente…

(claro, graças à policia secreta, ao degredo e ao chicote da fome e às amarras do medo).”

E este levantar do povo foi como um momento mágico, com um grito, um sorriso, uma lágrima, uma flor…

Os riscos que nesse dia se correram, a coragem pessoal desses capitães e dessa gente anónima merecem o nosso respeito e a nossa gratidão, tal como também os merecem todos aqueles que antes ousaram falar, gritar, enfrentar, afrontar, sofrer e até morrer, para que um Portugal livre e democrático fosse uma realidade.

O 25 de Abril de 1974 trouxe profundas alterações nas condições de vida dos portugueses e na sua própria mentalidade. Isto é, no carácter dos portugueses, no seu relacionamento uns com os outros e no seu relacionamento com o País e o mundo.

A liberdade adquirida trouxe-nos inegáveis progressos, uma nova visão do Homem e do Mundo.

As conquistas são de tal modo importantes, de tal modo inegáveis que sentimos dificuldade em lhes encontrar a dimensão porque, para nós, já são como que assumidas instintivamente.


Foi uma revolução pela afirmação de vontades, de anseios, de sonhos, começada ao som da voz de Paulo de Carvalho, onde Portugal se fazia ouvir bem alto:

Quis saber sou,

O que faço aqui,

Quem me abandonou,

De quem me esqueci!

E hoje 33 anos depois, quem somos? Que fazemos aqui?

Como cumprimos os ideais de Abril?

Vivemos hoje uma democracia, esforçamo-nos por construir um país onde a igualdade e a justiça imperem. Mas cada vez mais sentimos que o País de oportunidades que tanto sonhámos está a cair em demasiados oportunismos.

Sentimos que o clima de confiança tão dificilmente conquistado, está a resvalar para um clima de suspeição, onde a frontalidade conseguida está a dar lugar ao boato, à intriga.

Cantou o poeta:

A paz, o pão, habitação, saúde, educação!

Só há liberdade a sério quando houver, liberdade de

mudar e decidir…”

Hoje, vivemos numa encruzilhada de sentimentos, num turbilhão de valores e contra-valores, num país que parece estar um pouco à


deriva num oceano de mudanças bruscas e profundas. Necessárias? Talvez… Boas? Só o tempo o dirá…

Certo é que as dificuldades crescem e o desalento instalou-se.

O País vê-se a braços com problemas que julgava terem já ficado para trás, ou então, a sua resolução, não trazer a agonia e o desespero que se estão verificar.

Estão a aflorar, neste momento, 33 anos depois do 25 de Abril, desigualdades sociais em termos de distribuição dos rendimentos.

A nossa constituição diz que nós vivemos numa sociedade livre, justa e solidária e é esta que nós queremos promover.

Significa isto que o Estado e a comunidade devem garantir a todos os cidadãos, o mínimo exigível para que possam viver com dignidade, ao nível da saúde, ao nível da educação, ao nível do emprego e da protecção social.

Hoje, crescem em Portugal situações preocupantes de exclusão social, pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza.

Hoje, em Portugal, 33 anos depois da conquista da Democracia, apesar da estabilidade institucional, há um problema grave que é a crise de confiança no sistema democrático, nos políticos e na política.

É preciso lembrar que a democracia, apesar de consolidada não pode oferecer limites ao seu aperfeiçoamento nem impedir o combate às suas distorções.


Continuo a acreditar, serem os portugueses um povo capaz dos maiores sacrifícios pela sua pátria, já o provaram em tantos momentos da sua história…

Mas nos últimos tempos, José Mário Branco parece teimar em fazer-nos ouvir de novo…

Pedes ajuda e mercês

mas só palha vã vais pondo

no nosso prato…

Com trinta por uma linha…

esburacaste a liberdade, e a alegria…”

É sem dúvida uma época de mudanças, mudanças profundas, doridas; sofridas de uma forma que nos tem de novo obrigado a vir para a rua gritar…

Unidos de novo pelo mesmo ideal, mostramos que Abril está vivo, mostramos que um país se constrói pela força da razão, de mãos dadas.

Hoje, mais do que nunca os valores de Abril são algo de que não abriremos mão.

Acredito que juntos saberemos construir o Portugal com que cada dia sonhamos.

Abril, não foi,

Abril é !!

Abril será !!


Quero a terminar deixar aqui a mensagem de Chico Buarque quando diz:

Foi bonita a festa, pá,

Fiquei contente

Ainda guardo renitente

Um velho cravo para mim.

Já murcharam em tua festa, pá

Mas certamente

Esqueceram uma semente,

Nalgum canto, de jardim…”

 

(Maria da Conceição Pereira Soares)

 

 

Filipe Lopo

filipelopo@sapo




publicado por Filipe Lopo às 09:31
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