Página não oficial do Concelho de Castanheira de Pera
Sexta-feira, 2 de Maio de 2008
Discurso do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Castanheira de Pera

Discurso do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Castanheira de Pera

 

 

Transcrevemos na íntegra o discurso do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Castanheira de Pera, Prof. Fernando Lopes; proferido no dia 25 de Abril de 2008:

 

“ - Exmo Senhor Governador Civil do Distrito de Leiria;

Exma Senhora Presidente da Assembleia Municipal;

Exmo Senhor Presidente da Assem. de Freg. de C. de Pera;

Exmo Senhor Presidente da Assem. de Freg. do Coentral;

Exmo Senhor Presidente da Junta de Freg. de Cast.ª de Pera;

Exmo Senhor Presidente da Junta de Freg. do Coentral;

Reverendo Pároco Joaquim Duarte Gomes;

Minhas Senhoras;

Meus Senhores,

Comunicação Social:

 

- Aceite senhor Governador cumprimentos de boas vindas a Castanheira de Pera.

É para nós uma subida honra recebê-lo nesta casa e neste dia que assinala uma data tão significativa da nossa história contemporânea. E recebê-lo entre nós pela primeira vez como Governador Civil, logo neste dia é, não só, motivo de tamanha satisfação, como facto que não queremos nem podemos deixar de assinalar pela forma como nos distingue. Agradecemos-lhe penhoradamente.

Reafirmando, clara e inequivocamente, o propósito de considerar Abril como uma data do presente em que o passado marca encontro com o futuro, comemoramos o seu 34º aniversário.

Comemorar esta data superior da nossa história colectiva recente é retornar a essa madrugada e a tudo quanto ela fez gerar, é deixar que a memória nos sirva os mais marcantes e decisivos episódios, permitindo-nos reviver alguns momentos que o tempo não conseguiu ainda apagar.

Comemorar esta data é, naturalmente, evocar, com muita gratidão, todos aqueles que, arriscando a própria vida, contribuíram para o seu acontecer, mas, não menos importante, deixar preito a tantos outros, homens e mulheres, que ao longo de quase meio século, corajosamente, lutaram pela Liberdade, enfrentando as consequências de tamanha ousadia.

Comemorar esta data deverá, mais do que nunca, significar o assumir de um compromisso com o futuro, capaz de actualizar, em plena luz do dia, os valores e o sentimento que lhe estão associados.

Assumamos, sem preconceitos, que Abril tem registado avanços e recuos, tem alimentado esperanças e frustrações, mas tem mantido as potencialidades para que permaneçam vivas as suas maiores conquistas, as liberdades cívicas e os direitos fundamentais de cidadania.

Abril é pois, um momento de confronto entre o sonho que alimentou aqueles dias do passado e a realidade que os nossos dias nos oferecem.

Abril, mais do que um reavivar de memória, é uma data que, constantemente, nos interpela, nos responsabiliza e nos convoca.

Porém, de ano para ano, Abril vai perdendo a capacidade de ganhar novos adeptos. Numa altura de crise como a que vivemos, não é com meras evocações do passado que, às novas gerações, se alimenta a legítima avidez de um futuro promissor.

 

Minhas senhoras

Meus senhores

Vivemos num mundo marcado pela possibilidade imediata de obter o fácil, permitindo que a vida se construa à volta de uma auto consciência de felicidade em torno de superficialidades e consumo fútil que nos preenche o tempo, mas, porventura, não nos preenche a vida.

A trajectória pessoal deixa de aparecer ligada a um destino colectivo, onde a segurança das pessoas assim como as suas reivindicações são, cada vez menos, resultado de partilhas ou sentimentos comuns.

Esta progressiva individualização e consequente dificuldade de organização e participação social, implica um enfraquecimento das instituições, já que tudo é mais precário, fragmentado e plural.

A crise que as sociedades actuais atravessam é, ao mesmo tempo, crise de civilização e crise dos indivíduos. Encontram-se em desagregação as instituições de actuação do vínculo social e da solidariedade, as formas de relação entre a economia e a sociedade e os modos de constituição das identidades individuais e colectivas.

Conforme diz Boaventura Sousa Santos: “Há um desassossego no ar. Temos a sensação de estar na orla do tempo, entre um presente quase a terminar e um futuro que ainda não nasceu.

Mas face a esse “desassossego”, é melhor agir e experimentar do que esperar.

Construir novas práticas de cidadania alternativas pode ser um desafio para um presente tão incerto. A valorização da solidariedade é talvez a alternativa mais importante a experimentar.

Desejavelmente, a escola assume um papel fundamental na preparação do indivíduo para o exercício, informado e responsável, dessa cidadania.

Parece-nos pois, oportuno abordar hoje e aqui a questão da escola, não só porque é uma discussão que está na ordem do dia, mas e, sobretudo, por este ser também um dos sonhos de Abril que o tempo ainda não validou.

Todos sabemos que a aposta na educação e na formação é um desafio que urge vencer.

Todos sabemos qual a vantagem que pode advir para uma comunidade ter uma escola de qualidade e qual a importância que esta assume, hoje, na preparação de uma nova geração, face aos requisitos do mundo actual.

Todos devíamos saber que a concretização desse sonho a todos convoca: administração local, família, escola, empresários, sociedade civil.

Repetimos, a todos sem excepção!...

Devemos, pois, estar atentos a este debate porque dele pode depender a resposta a muitos dos problemas da sociedade actual. A questão das desigualdades, sexo, raça, classe social, os problemas da pobreza, a violência, os riscos ambientais, a globalização da economia, o impacto das tecnologias da comunicação, são questões complexas que pedem uma resposta ao mesmo tempo baseada em conhecimento mas também em valores. Todos estes fenómenos afectam significativamente as escolas de hoje.

Passados que são 34 anos do 25 de Abril, a ideia de uma escola para todos, associada a um projecto emancipador, não só numa perspectiva de desenvolvimento pessoal como também de desenvolvimento colectivo tem sido difícil de assumir.

Urge, pois, assumir esse objectivo como prioritário. Passar da retórica formal à acção e conceber um projecto de escola que forme cidadãos capazes de julgarem com espírito crítico e criativo o meio social, que se integram e se empenham na sua transformação progressiva.

Contudo, a promoção de uma educação para a cidadania implica que a própria escola não se esquive à responsabilidade de ser ela própria alvo de questionamento, de forma a tornar-se num local privilegiado de participação e de educação para a participação.

Não é possível continuarmos a assumir uma postura de passividade relativamente a este debate.

Aos educadores pede-se que sejam capazes não só de transmitir conhecimentos, mas que se preocupem também com a formação global dos alunos, que saibam promover o entendimento, fazendo da escola um espaço de convivência onde em vez de se camuflarem os conflitos eles se assumem e se trabalham.

Pede-se que sejam activos, responsáveis nas decisões, que tenham voz e que dialoguem, que sejam competentes e contribuam para a autonomia dos seus alunos e que os ajudem a criar condições para a participação e para a tomada de decisões livres, conscientes e responsáveis.

Acreditamos que nada está perdido e que ainda é possível lutar por um projecto de escola que se assuma, definitivamente, como um local privilegiado capaz de um grande contributo para a construção de uma sociedade mais justa e solidária.

Minhas senhoras

Meus senhores

Abril inspira-nos liberdade e essa será sempre a verdadeira expressão de um homem novo. De um homem capaz de instituir contratos de relação com os outros, aos quais é também reconhecido igual estatuto, ou seja, o estatuto de sujeito social e cultural. De um homem capaz de ascender a uma certa forma de liberdade estabelecendo consigo próprio uma verdadeira relação de equilíbrio entre o corpo e o espírito.

Para nós o conceito de Liberdade é também algo que se constrói e se aperfeiçoa.

Não resisto porém, a roubar-vos uns segundos mais da vossa paciência e citar-vos Jean Jaques Rousseau quando nos afirma:

Se eu tivesse podido escolher o lugar do meu nascimento (…), teria escolhido uma sociedade bem governada e em que, correspondendo cada um ao seu trabalho, ninguém se sentisse obrigado e entregar ao outro as funções de que estava encarregado (…)

Teria querido nascer num país em que o soberano e o povo não tivessem senão um único e mesmo interesse, a fim de que todos os movimentos da máquina social não tendessem para outra finalidade  que não fosse a felicidade comum (…)

Teria desejado escolher para, mim, uma pátria afastada por uma feliz impotência do terrível amor das conquistas (…)

Teria procurado escolher um país em que o direito de legislação fosse comum a todos os cidadãos porque quem melhor do que eles pode saber em que condições lhe convém viver em conjunto numa mesma sociedade? (…)

Que a providência a tudo isso tivesse acrescentado ainda uma situação encantadora, um clima temperado, um terreno fértil e uma deliciosa paisagem (…), nada mais teria desejado para completar a minha felicidade que gozar de todos estes bens no seio desta feliz pátria.

Rousseau desenha-nos aqui o perfil de uma “pátria feliz” na qual gostaria de ter nascido. Porém, nenhum de nós tem a capacidade de escolher o lugar de nascimento. Temos, isso sim, o dever irrecusável de contribuir para a construção de uma pátria cada vez mais feliz.

Abril abriu-nos de novo a porta da utopia e devolveu-nos a capacidade de sonhar.

Em Abril o sonho ganhou contornos de realidade!...

Em Abril o sonho ganhou contornos de futuro, mas de um futuro que, cada vez mais, terá de ser construído, empenhada e responsavelmente, por todos e cada um de nós.

Termino com uma citação de António Arnaut que nos mostra a força do nosso querer.

 “Nada é impossível se souberes conjugar

O verbo querer

Em todos os tempos e modos

Do indicativo da tua vontade.”

Viva o 25 de Abril!...

Viva Portugal!...

 

Fernando Lopes

Presidente da Câmara Municipal de Castanheira de Pera

25 de Abril de 2008”

 

Filipe Lopo

 filipelopo@sapo.pt



publicado por Filipe Lopo às 14:02
link do post | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Janeiro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


posts recentes

Novo endereço - http://ca...

AS SUAS NOTICIAS - O NOSS...

25 de ABRIL de 1974 - 36º...

OS PERIGOS DA INTERNET

VIOLÊNCIA EM DEBATE

CASTANHEIRA DE PERA RECEB...

CARTA DE UMA MÃE PARA OUT...

CORO DE SANTO AMARO DE OE...

TOMADA DE POSSE DOS ELEIT...

DISCURSO DO PRESIDENTE DA...

TOMADA DE POSSE DOS ELEME...

HOJE ESTOU DANADO

ACTO ELEITORAL NA FREGUES...

FUTEBOL DE RUA – ÉPOCA 20...

APANHA DE SEMENTES – PROJ...

GNR de Pombal apreendeu m...

CANYONING - Ribeira de Qu...

“DEUS ABENÇÕE OS PAIS MAU...

RESULTADOS DAS ELEIÇÕES A...

DISTRIBUIÇÃO DE MANDATOS ...

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS 200...

EXPOSIÇÂO NA CASA DO TEMP...

Há Festa em Castanheira d...

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS EM C...

PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA ...

PARTIDO SOCIALISTA - CAND...

"PAISAGENS" EXPOSIÇÃO FOT...

EXPOSIÇÃO DE MOTORIZADAS ...

Iº Torneio de Vólei Praia...

DUAS LUAS A 27 DE AGOSTO ...

DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA

DIA INTERNACIONAL DA JUVE...

Dia 15 de Agosto a RTP ch...

PSD candidata presidente ...

CASTANHEIRA DE PERA - PS ...

04 de Julho de 2009 - Dis...

04 de Julho de 2009 - Dis...

Festa do Livro volta à Pr...

COMEÇOU A CAMPANHA ELEITO...

JS não integra lista do P...

ULTIMA HORA - MINISTÉRIO ...

PEDIDO DE DESCULPA

CANDIDATO À AUTARQUIA CAS...

95º ANIVERSÁRIO DE CASTAN...

APRESENTAÇÃO DE 70 NOVAS ...

PASSEIO PEDESTRE, ESCONHA...

Stº ANTÓNIO DA NEVE - C...

Memórias do Antigamente l...

XII FESTIVAL DE FOLCLORE ...

TRIANGULACOES de JOSÉ POR...

arquivos

Janeiro 2011

Abril 2010

Dezembro 2009

Outubro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Setembro 2007

Agosto 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Março 2006

tags

todas as tags

links
Paralaxe

blogs SAPO